segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"PS impõe disciplina de voto no casamento homossexual"

Andava eu entretido nas minhas pesquisas, quando me deparei com esta notícia acerca do casamento homossexual em Portugal. Cheguei à imediata conclusão de que era pertinente publicá-la aqui, pela sua real importância quer para mim por ser homossexual, quanto para todos nós enquanto sociedade que deve viver em direito de igual para todos. E depois isto deu-me que pensar, e já ando a fervilhar com um novo post de opinião acerca deste tema. Em breve, a minha opinião. Por agora deixo-vos apenas a notícia. Beijinhos, Pi.*


O PS vai legislar a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo através de uma proposta do Governo. Que não admitirá a extensão desse direito à adopção de crianças, como nos casais heterossexuais. A direcção da bancada já decidiu: haverá disciplina de voto. A ideia de um referendo ganha "volume" mas os socialistas rejeitam-na. O BE também.
Dentro em breve, o Governo apresentará na Assembleia da República uma proposta legalizando a possibilidade de duas pessoas do mesmo sexo se casarem pelo civil e, ao que apurou o DN, na bancada socialista haverá disciplina de voto. Só serão admitidas duas excepções: Maria do Rosário Carneiro e Teresa Venda, as independentes democratas-cristãs que integram o grupo em nome do Movimento Humanismo e Democracia.
Nestas questões de costumes, o PS costumava permitir o direito generalizado à liberdade de voto no seu grupo parlamentar. A direcção considera no entanto que todos estão vinculados à disciplina porque esta foi uma matéria de compromisso eleitoral do partido.
O chamado "casamento gay" foi tema de conversa anteontem à noite, numa reunião da bancada do PS. Se dúvidas existiam, elas ficaram dissipadas: a proposta de lei que o Governo apresentará não irá admitir aos casais homossexuais o direito de adoptarem crianças porque, segundo explicou Francisco Assis, isso "não constava no programa eleitoral" dos socialistas.
Isto ao contrário do que defendem o Bloco de Esquerda e o PEV, os dois partidos com projectos já apresentados na mesa da Assembleia da República. E também ao contrário do que pensa um estreante na bancada do PS, o deputado Miguel Vale de Almeida, assumidamente homossexual e figura de proa, há muito tempo, em defesa das causas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais).
Falando ao DN, Vale de Almeida, ex-militante do Bloco de Esquerda, reafirmou que defende também o direito de os homossexuais casados adoptarem crianças. Mas acrescentou não ver a posição do PS como um retrocesso: "Não, não estou desiludido", afirmou. Explicando: "Aquilo que as pessoas têm vindo a lutar como prioridade é o casamento."
Apesar de o PS, por um lado, e o Bloco e o PEV, por outro, terem perspectivas divergentes sobre a adopção, isso, garantiram ao DN várias fontes parlamentares, não constituirá nenhum bloqueio. Dito de outra forma: por acordo à esquerda, será consagrada a legalização do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. Mas sem o direito de adoptarem, devido à oposição do PS.
Registe-se que o PEV evoluiu da última legislatura para a actual, passando a defender a adopção. É algo que não merece a concordância do PCP, partido liderante da CDU. Na última legislatura, quando o casamento gay foi a votos, por iniciativa do BE, os comunistas votaram a favor do projecto do PEV (que não abrangia a adopção) e abstiveram-se perante o do Bloco de Esquerda (que abrangia).
Se a "doutrina" do PCP se mantiver quando o casamento gay voltar à agenda parlamentar - algo que poderá acontecer ainda este mês -, então os comunistas deverão votar a favor da proposta do Governo, abstendo-se nas do BE e do PEV, precisamente por causa do direito de adopção, com o qual não concordam.”

Diário de Notícias, 05 Novembro 2009, por João Pedro Henriques

domingo, 15 de novembro de 2009

Amizade Gay


Dei por mim hoje a pensar nas alterações que o meu grupo social de amigos tem sofrido nos últimos anos. E se até há cerca de dois anos atrás eu só conseguia ter amigos heterossexuais, hoje verifico que consegui finalmente mudar essa situação e ter também o meu grupo de reais amigos homossexuais. Não é querer separar o trio do joio, ou salientar as tais duas realidades que eu insisto em unir, mas antes não conseguia acreditar que era possível dois gays serem amigos, sem segundas intenções, ou com uma verdade e sinceridade patente nessa mesma amizade.
Obviamente que sempre tive contacto com a homossexualidade, ou mais a partir dos meus 16 anos, mas o que acontecia é que com todos os meus conhecidos eu não mantinha uma relação de amizade. Saiamos à noite, tomávamos café à tarde, falávamos do trivial, mas com qualquer um que eu me desse, nunca dava tudo de mim nem me mostrava a 100%, e isso deve-se à falta de credibilidade que todos me demonstravam e numa falta de crença que eu possuía em relação à veracidade daqueles com quem eu me dava. Ou os achava muito falsos e cínicos, ou só olhavam para os rapazes com intenções meramente sexuais, ou simplesmente nem me interessava o que estavam para ali a falar. No entanto, aquele era um processo de crescimento e acima de tudo, de conhecimento, e eu queria conhecer o mundo gay, percebê-lo, entender a realidade à qual eu pertencia. E no fundo, obviamente que mantinha uma esperança de que um dia as coisas pudessem mudar e também eu tivesse a oportunidade de conhecer gays “decentes” ou com atitudes e ambições parecidas com as minhas.
E foi já numa fase em que eu desistia de procurar ter um grupo de amigos gays, com o qual conversar acerca de tudo, que eu sabia que me iria entender a 100% nas questões mais ditas homossexuais, que eu encontrei o meu primeiro amigo gay verdadeiro. Eu sei, esta história hoje parece muito à Morangos com Açúcar, mas não é de todo essa a imagem que eu quero dar. Mas a sério, eu sei que os meus amigos heteros sempre me aceitaram e sempre me compreenderam, e eu sempre pude conversar, principalmente com as raparigas, acerca dos meus dramas amorosos, mas vá lá, convenhamos que se eu estiver a conversar com alguém que fale a minha língua a comunicação é feita de outro modo, e eu tenho a certeza de que o receptor irá entender a minha mensagem muito mais correctamente, e poderá opinar de forma mais assertiva e compreensiva. No entanto, ainda hoje eu converso com os meus amigos heterossexuais, e sobretudo sobre os meus romances, mas ter também o meu grupo de amigos gays, ajuda-me a “sentir em casa”. São duas realidades distintas que eu envolvo na minha vida, e que não são de todo dois mundos opostos e distintos, até porque muitos deles se conhecem e dão entre si, mas que são ambas precisas e necessárias para a minha estabilidade emocional. Sucede-se o mesmo com todas as pessoas que possuem um variado leque de amigos diferentes entre si, só que apesar de eu também ter isso, ainda os tenho divididos em duas “secções”.
Essa amizade surgiu por acaso, e através de outras pessoas também homossexuais, com quem ainda me dou, mas que são apenas conhecidos especiais. E a partir dessa amizade, outras, poucas, vieram chegando também, até que hoje, cá ando eu feliz e contente com estes novos velhos amigos que eu fui adicionando à minha lista de amigos. E para ser sincero, eu sentia falta de ter pessoas assim na minha vida. Em que posso ser um livro aberto, em que posso, se me apetecer, ir para sítios ditos gays e ter companhia, em que posso estar a falar do Gaydar e me percebem por também terem um ou por saberem na perfeição o que é, ou até mesmo para falar de rapazes, porque muito provavelmente um ou outro até vai saber quem é o rapaz em questão por já o ter conhecido, ou por conhecer quem o conhece. Porque no fundo, este mundo gay é uma verdadeira aldeia em que todos se conhecem, e não é difícil termos um conhecido em comum com o rapaz com quem andamos a flertar. Obviamente que eu também faço quase tudo do que referi com amigos heterossexuais, mas acho que conseguem entender que é mais simples e talvez lógico, ir a uma discoteca gay, falar de rapazes gays, conversar de assuntos ditos “gays” com um semelhante, do que com alguém que até percebe da cena, mas que não é assim tão igual, até porque se o fazemos será com raparigas, e essas, por mais maravilhosas que sejam, não compreendem a 100% o que é isto de se ser gay. Por mais open mind que sejam, não são elas que vivem o mesmo que vivemos. Tal e qual nós nos esforçarmos para entender que raio de mundo é aquele em que elas gostam de homens heterossexuais. Somos todos diferentes como insisto em referir, e no fundo, acho que por vezes não somos todos tão iguais como dizem por aí. Seres humanos, de facto, mas há situações, e novamente a palavra, realidades que são mais iguais para uns do que para outros.
No final, o importante mesmo é existir amizades, quer sejam gays, heteros ou bissexuais, o que fazemos com a nossa vida sexual não é de todo factor relevante para nos darmos com A,B ou C, e não devemos ser preconceituosos em relação a isso, mas o que é certo é que nos convém ter também amigos que saibam do que falamos. Posso ter os meus amigos heterossexuais, mas por favor, não me tirem os meus amigos gays! Têm todos o seu lugar no meu coração, mas é bom ter um pouco de tudo como se de um rodízio se tratasse. E vocês, gays ou não gays, como andam essas amizades?
Beijinhos… Pi.*

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A Minha Paixão Pop (Parte II)

...Quando acordei, tinha o ar mais feliz e idiota que possam imaginar. Aliás, a partir daquele dia passei a acordar diariamente com uma cara de parvo que só visto! E era normal, eu sabia que tinha encontrado o meu príncipe encantando, nome que secretamente ele me chamava a mim quando estava com os amigos. Tudo em nós destilava magia Walt Disney. A forma como nos tratávamos não era a convencional ou com os nomes da treta, a nossa ligação era natural e não somente de namorados, acima de tudo éramos amigos, toda a nossa relação era baseada em sinceridade e honestidade, os nossos momentos a dois eram perfeitos, bem como nós e os amigos dele, ou nós e os meus. Era tudo tão demasiado brilhante e conto de fadas que eu comecei a ter medo do que o futuro nos reservava. Nunca discutimos, nunca nos chateamos, nunca estávamos entediados um com o outro. Tínhamos muitas coisas em comum, mas ao mesmo tempo éramos tão diferentes, que a sério, olhando agora para trás, até dava gosto de nos ver juntos.
Fizemos de tudo o que é suposto fazermos nos primeiros meses de romance, teatro, cinema, um concerto, prendas, passeios de mão dada, jantares, saídas, enfim, vocês sabem como é. Tive com ele o que com poucos tive. E era muito mais do que o meu namorado, era um ombro amigo, alguém com quem eu inexplicavelmente conseguia desabafar acerca de tudo, com quem eu não tinha receios de ser eu próprio, com quem eu me sentia à vontade para tudo, com quem eu tinha mil e um planos, com quem eu, apesar de com os pés na terra, já fazia planos futuros, como onde iríamos passar as férias de verão. No entanto, apesar de tanta perfeição, pela primeira vez faltava algo a quem sempre dei alguma importância, o sexo.
Infelizmente tanto eu como ele vivíamos com os nossos pais, o que só por si já dificultava estarmos a sós mais intimamente, depois, nenhum dos dois tinha carro, portanto, fazê-lo “clandestinamente” num parque com vista para o rio (sim, conheço um com uma vista fantástica), estava fora das nossas possibilidades, e depois, casas de amigos… Bem, não era o melhor, e era como missão impossível consegui-lo. Portanto, se vos disser que posso contar pelos dedos da mão as vezes em que fizemos amor, não estarei a mentir. E já aquelas em que foram, não me perguntem porquê, mas não fomos até ao fim por esta ou outra razão. Se bem que houve espectacular na faculdade dele, mas essa vou deixar assim a pairar no ar, só adianto que foi numa sala de aula e mais não digo…
Não é que o sexo seja o mais importante, porque não o é, mas caramba, numa relação é óbvio que tem a sua quota-parte de importância, e se já é mau quando não existe química nesta parte com o nosso parceiro, quanto mais nem sequer existir. Eu confesso que no princípio esta questão nem me era significativa, mas há medida que o tempo foi passando, eu fui começando a dar um pouco em louco… Mas tudo bem, temos de ser compreensivos e quem sabe no futuro não arranjemos uma solução. Tretas, ela nunca chegou!
E por fim, quando tudo parecia estar a caminhar tão à carruagem da Cinderela, sem ninguém perder o seu sapatinho, o Pi resolve entrar em colapso cardíaco e começar a questionar os seus sentimentos acerca do Lourenço. É verdade. E sinceramente não tenho grande explicação para o que me deu ou senti naquela altura. Tenho hoje consciência de que fui um imbecil e um grande idiota, e de que possivelmente cometi ali um dos maiores crimes na minha amorosa, e que muito provavelmente devia estar preso por ele, mas que querem que vos diga? Por vezes existem atitudes que não conseguimos explicar, ou respostas que damos sem ter a certeza delas, no entanto, sabemos que as temos de dar, e lá refundido no nosso subconsciente até pode ser um aviso de que o que vamos fazer é o melhor. E foi isso que disse e fiz, terminei com o Lourenço exactamente no momento em que estávamos bem, em que nada havia acontecido, em que apenas nos faltava um sexo mais presente, mas em que nada mais nos faltava. O que lhe disse? Que não tinha certeza se era aquilo que eu queria, que não estava bem e que precisava de repensar em tudo. Na verdade, eu não estava a 100% comigo, mas que é que isso importava? Eu sei que sim, que gostava dele, e que no fundo tudo não passou de uma desculpa esfarrapada para encobrir o meu medo de não estar à altura do desafio ou de lhe dar o que ele merecia, e cobarde, preferi fugir a enfrentar os meus receios!
Hoje, sei que já nada há a fazer, e também não o pretendo. A nossa história teve um princípio, meio e fim, e hoje, ainda somos amigos. Afastamo-nos na altura, como é natural, mas passado um tempo voltámos a falar, e sempre que nos vemos é uma festa acesa cheia de abraços e “então estás mesmo bem? Estás feliz?”. Conheço o namorado dele, com quem ele mantém uma relação já muito duradoura, não sou assim íntimo do rapaz, porque convínhamos também não é daquele tipo muito sociável, mas no entanto sei que não tem ciúmes meus, e eu posso dar-me à vontade com o Lourenço. Falamos de vez em quando, por vezes menos do que se calhar ambos queríamos, mas no entanto o facto de nos darmos hoje tão bem, é o reflexo preciso do que tivemos no passado. Sabemos que fomos pop e que éramos “o amor”. Se me arrependo? Talvez. Mas não vou usar a velha “ai se o arrependimento mata-se…”. Sei que na altura devia ter feito as coisas de outra forma, mas quem sabe se não foi mesmo o melhor para hoje pelo menos estarmos bem? E de qualquer forma ele hoje está super feliz, e isso para mim chega. Quiçá não tenha sido obra do destino eu tê-lo feito assim na altura, para ele agora encontrar o seu verdadeiro príncipe… Quem sabe não é?
Beijinhos, Pi.*

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A Minha Paixão Pop (Parte I)

Hoje vou falar-vos de uma pessoa muito especial que um dia passou pela minha vida. A história já tem mais de dois anos, mas no entanto, ficou marcada na minha memória por ter sido intensa e talvez um dos maiores desastres que o Pi já cometeu na sua vida amorosa. Não o recordo hoje por ter alguma saudade dele, ou por o sentimento não estar devidamente guardado no passado, ou até por ainda gostar da pessoa em questão, mas sim porque tenho andado numa onda de reflexão, de análises, de me julgar a mim próprio, de tentar entender possíveis brechas que não ficaram devidamente tapadas. E também, porque a vida não é feita só de casos tórridos de sexo desenfreado, podendo dar-me ao luxo de dizer que já tive as minhas paixões, bonitas e “comerciais” como esta. Vou aqui chamá-lo de Lourenço, sendo que já sabem que gosto de dar nomes fictícios para manter a privacidade das pessoas envolvidas.
Apesar de curta, a minha a relação com o Lourenço foi de tal forma intensa, e assumo a repetição da palavra por ter sido exactamente isso, intensa. A forma como tudo começou e o desenvolvimento da acção foram tão inesperadas e ditas “normais”, que nunca pensei poder ter algo com alguém e começar uma relação fugindo ao estereótipo das relações homossexuais.
Estávamos no ano de 2007, mas eu já o havia visto no ano anterior no Pride, a festa de orgulho LGBT. Na altura, ele estava no grupo de uma amiga minha, a Maria, e eu tinha achado imensa piada a este seu amigo desconhecido, no entanto, não disse nada e guardei a minha opinião nos meus pensamentos pois pensei que provavelmente não iria dar em nada. Mas, uma certa noite, já passados meses, e estarmos num novo ano, quando num antigo local do costume no Bairro Alto, lá estava ele novamente. Continuei a mirá-lo, a tentar perceber de onde o conhecia, até que a minha memória infalível atinge o que eu queria, era o mesmo rapaz do ano passado. Desta vez, deixei a timidez ou os pensamentos parvos de lado e decidi questionar a minha amiga acerca daquela pessoa. “É solteiro?” “Quantos anos tem?” “Então e, o que é que ele faz na vida?” “É de onde?” “Vá, quero saber tudo!” E após o interrogatório dar-se por completo e eu ter gostado do perfil traçado, lá me foi apresentado devidamente o Lourenço. E que bela e agradável surpresa.
Estivemos a noite toda a conversar. Os temas pareciam que não se esgotavam e que eu e ele nos conhecíamos há décadas. Eu, estava cada vez mais afim, embora soubesse que este era um tipo de rapaz diferente, e que dali quereria muito mais do que uma noite de sexo, no entanto, não era nada disto que pairava sobre o meu pensamento, simplesmente estava a desfrutar da sua companhia e a aproveitar aquele momento, estava de facto a ser perfeito conhecer alguém, através de uma amiga, e que ainda por cima sabia conversar, era super giro, divertido, e tinha tudo a ver comigo. A noite passou-se e eu resolvi arriscar e pedi-lhe o seu contacto. Lá trocamos os números, mas este disse-me que estava sem saldo e que ia carregar o telemóvel. Eu fiquei naquela não é, ora que bela desculpa e tal, e entendi de que o sentimento se calhar não havia sido mútuo, no entanto, ao sair da discoteca com os meus amigos, já de madrugada, porque ele tinha ido para casa após o Bairro, decidi mandar-lhe uma mensagem a dizer que tinha gostado de o conhecer e tal e que gostava de tomar um café com ele nessa semana. Não obtive resposta como é lógico, mas qual não é o meu espanto quando ao acordar, agarro no telemóvel e vejo que ele me tinha mandado uma mensagem do telemóvel de outra pessoa. Pensei… Bem, repensando de cabeça fria, ele até pode estar interessado em pelo menos conhecer-me melhor, ou então, pronto, é daqueles casos raros e é um simpático do caraças, de qualquer forma queria descobrir!
Uns dias passaram, ele lá carregou o telemóvel, e nós tivemos o nosso primeiro date. Foi espectacular! Nada de extravagante ou demasiado à filme de cinema. Foi um café, com inexistência de silêncios constrangedores, um pôr-do-sol numa vista maravilhosa, o que fizeram deste encontro um dos Top 10 da minha vida.
Após esta tarde, as coisas andaram naturalmente, sem pressas ou dramas. Fomos nos conhecendo, falávamos diariamente, encontramo-nos diversas vezes, só os dois ou com amigos, e eu sentia que algo surgia dentro de mim. Mas da parte dele sentia-o inseguro e reticente, e após uma longa conversa entendi que ele era demasiado inseguro com ele próprio, e por experiências do passado era-lhe difícil entregar-se a alguém, por falta de auto-estima julgava que era impossível alguém gostar dele verdadeiramente e percebi que se queria ficar com ele, teria de o provar e lutar. E foi o que fiz! Não baixei os braços ou perdi tempo a pensar que este era mais um típico caso de esquizofrenia como tantos outros que já haviam passado pela minha vida, não, este era diferente, e eu gostava dele, e a cada dia mais. Disse-lhe então que não iria insistir, e que iríamos continuar como até então, mas que agora a bola estava nas mãos dele. Ele já sabia que eu gostava dele, que queria algo mais, mas tinha de ser ele a dizer-me quando se sentisse preparado.
Os dias foram passando, sem eu desistir, e passado algum tempo, uma noite após termos ido sair com uns amigos e de já termos dado o nosso primeiro beijo, segundo, e todos os que queríamos, fomos dormir a casa de uma amiga do Lourenço. Queríamos passar a nossa primeira noite juntos, mas só isso, sem intenções sexuais. Queria adormecer ao seu lado, sentir o seu corpo junto ao meu, adormecer ao som do seu batimento cardíaco. O momento não podia ter sido mais mágico. Os dois, deitados na cama, a luz da lua a iluminar o quarto, nós a brincarmos, a trocarmos carícias e beijos, até que, de repente ele pára e fica a olhar-me profundamente nos olhos. Eu tremi com aquele olhar. Silêncio. Ele pergunta como um adolescente no liceu: “Queres namorar comigo?” Eu, corei, sorri, e disse-lhe com toda a convicção do mundo: “Sim!” Demos um beijo e ficamos abraçados até adormecermos…

sábado, 7 de novembro de 2009

Procura-se Candidato


Decidi criar um anúncio a fim de tentar encontrar algum candidato que queira preencher a vaga que há por preencher no meu coração. Provavelmente será difícil encontrar pessoas com tantas qualificações quantas as que são necessárias para ocupar este cargo, e pode dar-se também o caso de um grande maioria nem estar interessada em enviar o seu Curriculum Vitae, no entanto, tenho de tentar e uma certeza existe de que todos os candidatos serão analisados com afinco e detalhadamente.

Procura-se rapaz solteiro com o seguinte perfil:

  • Idade limite entre os 20 e os 35 anos (claro que existem sempre excepções);
  • Suficiente cultura e inteligência de forma a conseguir retribuir um diálogo coerente e consistente;
  • Simpático;
  • Educado e gentil;
  • Com forte espírito empreendedor e iniciativa;
  • Comunicativo;
  • Boa Apresentação;
  • Divertido e Espontâneo;
  • Que não seja preconceituoso e mantenha um espírito livre;
  • Receptivo à diferença;
  • Compreensivo;
  • Incansável;
  • Que queira atingir objectivos a curto, médio e longo prazo, quer a nível pessoal, quer em equipa;
  • Com disponibilidade para viajar dentro e fora do país;
  • Local de residência em Lisboa, ou arredores;
  • Romântico, meigo, carinhoso, sensível Q.B. ;
  • Que seja respeitador mas que também saiba impor respeito;
  • Curioso;
  • Aventureiro;
  • Que goste de artes;
  • Que seja promíscuo quanto baste, e que acima de tudo não seja frígido;
  • Que seja uma boa mistura entre o gostar de um programa caseiro a dois ou com amigos, mas que também goste de ir sair à noite e dançar até de madrugada.
  • Que seja fumador! Ou que pelo menos não atrofie com cigarros (por isso darei preferência a fumadores pois compreenderão melhor a minha necessidade… mas não será factor eliminatório não fumar);
  • Disponibilidade para trabalhar em horários rotativos;
  • Que saiba separar os tempos e seja organizado com os mesmos. E estes podem ser:
    - Tempo para estar só;
    - Tempo para estar a dois;
    - Tempo para estar a só, com os amigos;
    - Tempo para estar a dois com os amigos.
  • Que saiba ouvir e mantenha uma escuta activa;
  • Que tenha o seu próprio mundo e amigos e que não se importe de o partilhar, e até fazer questão de existir uma intrusão no mesmo;
  • Que saiba surpreender e de ser surpreendido;
  • E que acima de tudo, tenha personalidade própria!

Oferece-se:

  • Um emprego estável;
  • Remuneração compatível com a função desempenhada;
  • Isenção de uma carga horária fixa e regulada pela entidade patronal;
  • Subsídios de carinho e muita paixão;
  • Possibilidade de integração nos quadros da empresa;
  • Possível subida de carreira;
  • Compreensão total e disponibilidade para ajudar nas necessidades do colaborador;
  • E, retribuição total de todos os itens que se procura nos candidatos.

Caso esteja interessado em responder a este anúncio, é favor deixar em comentário o seu endereço ou contacto telefónico para que posteriormente seja contactado pelos meus Recursos Humanos, a fim de lhe facultarmos o e-mail para onde deverá enviar o seu CV actualizado e com foto de rosto e corpo inteiro.
Beijinhos, Pi.*

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O Meu Namorado a Sério (Parte III)

...Um dia, tomei a decisão definitiva de que não podia continuar com ele. Apesar de o amar, apesar de eu saber que ele era talvez a pessoa que eu sempre esperara, mesmo com os seus defeitos, nós não podíamos continuar a viver uma ilusão. Não quando os nossos planos já voavam tão alto e um de nós não tinha os pés no chão. Nessa noite conversei com ele, e terminámos pela terceira vez, rodeados de lágrimas, de um sufoco demasiado penoso para ser suportável, mas no entanto, havíamos combinado de que permaneceríamos amigos (um erro, eu sei), pois ele iria precisar do meu apoio, da minha ajuda, dado que eram poucos os verdadeiros amigos que ele possuía na sua vida e que o iriam dar conselhos e um ombro amigo sincero onde ele se pudesse apoiar. Fui para casa nessa noite, sozinho, sentindo a cama tão vazia como não sentia há meses…
Uma semana passou. E essa semana bastou para que ele encontra-se trabalho, se inscrevesse para continuar os estudos. E eu disse-lhe, apesar de estar feliz por ele, que não seria por ele mudar a sua vida tão radicalmente, na esperança de voltar para mim, que iríamos recomeçar e que estava tudo bem. Ele precisava de aprender sozinho, de fazer tudo aquilo por ele, e não por nós. E foi aí que chegou a viagem. A nossa última viagem, a nossa despedida.
O Salvador convidou-me, isto após umas duas ou três semanas depois de termos terminado, irmos viajar até Barcelona. Eu tinha lá duas amigas a estudar, podíamos ficar em casa delas, e sempre fora um dos poucos destinos que ambos gostávamos de conhecer. Eu amava-o, e apesar de os contras serem mais fortes que os prós, resolvi aceitar o convite. Ambos víamos naquela viagem uma esperança de reatarmos, apesar de eu deixar definido e claro de que iríamos como amigos, não queria misturar as coisas, apesar de ser praticamente impossível, mas não lhe queria criar esperanças. Queria primeiro entender como estávamos, deixar estes dias apesar de acompanhados, sozinhos e longe de todos, falarem por si. Mal eu sabia que esta era a nossa separação até aos dias de hoje…
Foi acima de tudo uma viagem maravilhosa, pela cidade, por poder matar as saudades da minha amiga mais próxima, de estar rodeado de cultura e de novos lugares. Mas tudo perdeu o encanto quando uma noite resolvemos ir sair até uma discoteca gay. Como as minhas amigas não quiseram ir, fomos os dois sozinhos. Dançamos, bebemos, rimos, exploramos o espaço, e, levado pelo desejo sexual, o Salvador deixou-se ir e foi até à rua foder com um espanhol. Eu sei, eu disse-lhe que éramos somente amigos, que ele era livre, que podia fazer o que entendesse, mas nunca esperei que fosse capaz de estar com outra pessoa mesmo nas minhas barbas. Ele ainda teve o descaramento de me perguntar se não havia problema de curtir com outra pessoa, eu naturalmente, disse-lhe para ele fazer o que quisesse. O nojo que sentia dele naquele momento era hediondo!
Após o ver sair para a rua, fui ao bengaleiro buscar as minhas coisas e sai rumo a casa. Andei pela cidade, ainda de noite, sozinho, de música nos ouvidos, com as lágrimas a cobrirem o meu rosto. Como tinha ele sido capaz de me fazer aquilo? Que raio de amor era aquele que ele dizia sentir? Um momento de fraqueza? Um “que se lixe, nós não somos namorados mesmo”? Eu sei, não lhe podia cobrar nada, mas podia cobrar-lhe a mágoa por me sentir enganado, por já não acreditar nos seus sentimentos! A partir daquele momento ele passara a ser um estranho, um mentiroso, um verme! Cheguei a casa, deitei-me. Ele chegou uma hora depois. Entrou na cama. Eu fingi que já dormia. Pediu-me desculpa. Eu não respondi. Perguntou se eu estava acordado. Eu dei-lhe o meu silêncio. Ele acariciou-me, abraçou-se a mim. Eu nem me mexi. Ele pediu-me para ter sexo comigo. Eu gritei que não queria nada com ele e para que ele se afastasse! Naquele momento não conseguia sequer olhar para ele, quanto mais dar-lhe toda a raiva que sentia!
No dia seguinte, acordamos, e eu optei por ignorar a noite que havia passado. Por mim, para não estragar ainda mais uma viagem que já estava estragada, pelas minhas amigas. Passeamos, continuamos a conhecer a cidade. E nessa mesma noite eu decidi que queria ir sair, que queria ir até à mesma discoteca! No fundo, eu queria vingar-me e pagar com a mesma moeda.
Num café, antes de irmos, os dois, acabamos por conversar sobre o assunto que se havia tornado tabu. Eu disse-lhe tudo o que sentia, e que se ele tinha visto aquela viagem como uma reconciliação, então tinha arruinado tudo, porque naquele momento já não havia nada a concertar e um nós já não existiria mais! Disse-lhe que quando chegássemos a Lisboa eu me iria afastar definitivamente, e que tão depressa não o queria ver. Ele chorou, eu engoli em seco para não dar parte fraca. Fomos sair.
Uma vez na discoteca, eu fiz os possíveis e impossíveis para lhe dar a entender de que estava disponível para curtir com alguém. Disse-lhe diversas vezes para me deixar estar sozinho porque estava no engate. E cheguei a trocar olhares com um gajo, mas que acabou por ir embora porque eu não tive coragem. Gritamos um com o outro lá dentro. Ele foi embora, e eu fiquei sozinho. Mas aquilo já estava a fechar e eu tive de ir embora. Ainda permaneci v
nte minutos na rua, olhando os gajos que estavam a conversar, a tentar entender se ia para casa, se metia conversa com alguém por despeito e revolta. Mas não consegui. Baixei a cabeça para que não vissem as minhas lágrimas e fui para casa. Fizemos as malas, arranjamo-nos sem trocar uma palavra e saímos rumo ao aeroporto. Mas por um percalço, perdemos o avião, e vimo-nos obrigados a ficar por mais dois dias. Eu não queria acreditar que tinha de continuar a fingir que estava tudo bem por mais dois dias, e de que iria aproveitar esta benesse maligna para conhecer o resto da cidade, com ele. Tudo bem, eu conseguia aguentar.
No dia seguinte, ele esteve constantemente a mandar-me bocas do género, “tu fazes-te de santo mas tu também sais-te cá uma rica prenda”! Andava esquisito, e eu não entendia o porquê de ele estar a dar uma de ofendido. Disse-lhe que se tivesse alguma coisa para me dizer que fosse directo porque detestava rodeios e ele bem o sabia. O dia passou-se, eu fui ver o pôr-do-sol sozinho até à praia, dar uma volta com os meus pensamentos, aproveitar os últimos momentos de verdadeiro lazer na minha própria companhia. Voltamos a discutir ao jantar, e tudo aquilo já se estava tornar insustentável! Até que ele do nada me pergunta: “Quem é o Francisco”? Eu fiquei passado, este gajo andou a mexer no meu telemóvel enquanto eu não estava cá! Perguntei-lhe porquê? E aí começou uma nova discussão. O Francisco era um amigo que havia conhecido, e não tinha absolutamente nada com ele. Éramos somente amigos, ele tinha namorado, mas estava a ser uma pessoa com a qual estava a gostar de falar porque me transmitia muita segurança e entendia tudo o que eu sentia. Mas tinha mensagens dele, inocentes, e isso foi o suficiente para ele realizar um filme com direito a Óscar em Hollywood. Tive de lhe explicar tudo para ele entender de que apesar de do que havia acontecido, eu não era igual a ele.
A noite passou. Nova tentativa de chegar a mim. Eu afastei-o. O dia chegou, fomos para o aeroporto. À minha espera um amigo meu que me iria levar até casa. O Salvador pensava que ainda me iria dar boleia, mas surpreendi-o. Olhei-o nos olhos, e disse-lhe: Adeus! Até um dia… E foi assim que todos os dramas terminaram e que a nossa história acabou.
Eu sei que ele não foi o único culpado por as coisas não terem dado certo. Tenho consciência de que era frio e insensível para com ele, apesar de ele merecer o contrário. Que nem sempre tinha um feitio fácil. Mas que podia eu fazer depois de tudo aquilo? Os danos eram irremediáveis e a melhor solução era cada um seguir a sua vida.
Actualmente ainda nos falamos, houve um ou outro episódio pelo meio que dava que falar, mas não me vou alongar muito mais nas palavras. Iria mentir se dissesse que não tremo quando o vejo, como foi caso de no passado fim-de-semana, quando estivemos os dois presentes num aniversário de uma amiga minha. Sei perfeitamente que ele foi a pessoa mais importante, a nível amoroso, que tive até hoje, e que um sentimento ainda se mantém cá dentro guardado, mais que não seja, as boas memórias do passado, no entanto, seguimos as nossas vidas conforme o combinado. Por ironia, ou não, ele neste momento é dono de um bar, pretende abrir outro mais no centro da cidade, está numa relação e até já vive em casa do namorado. Se calhar, no meio disto tudo, o problema sempre fora meu e não dele, eu é que estava demasiado cego para ter percepção disso. Que se lixe, pelo menos tive um namorado a sério!
Beijinhos, Pi.*

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Meu Namorado a Sério (Parte II)

…A cumplicidade entre nós era notória, apesar de sermos completamente distintos e oriundos de mundos diferentes. Quando um dizia preferir sal, o outro respondia dar preferência ao açúcar. Se eu gostava de viajar até um local com muita história e cultura, ele só iria se fosse um sítio paradisíaco. Eu gosto de ler, ele começou a fazer um esforço para ler o meu outro blog, pois odiava a leitura. Ele era todo das electrónicas, eu sou muito mais das artes. Eu sou super comunicativo e extrovertido, ele, mais tímido e levava o seu tempo a dialogar com estranhos. Éramos opostos em tudo, apenas iguais no sentimento que nutríamos um pelo outro. Apesar disso, estávamos juntos e fazíamos um esforço saudável permanente para aprender um com o outro. E eu tentava muitas vezes tentar encontrar pontos em comum que nos aproximasse, porque algumas dessas diferenças eu até achava saudável, pois podia usufruir de novas experiências, conhecer coisas que muito provavelmente por iniciativa própria nunca iria dar importância, mesmo que depois viesse a não gostar.
Os momentos foram inúmeros, mas sempre que estávamos juntos, eu sentia essa falta de semelhança sempre demasiado presente, apesar do tal esforço mútuo. Eu falava pelos cotovelos, ele calado ouvia o que eu lá ia contando, ria-se das minhas piadas, mas na maior parte das vezes os diálogos passavam a monólogos, o que me deixava frustrado. Conversei com ele acerca desta questão, ele por várias vezes disse que ia mudar, até que quando recomeçamos pela terceira vez eu vi esta situação alterar-se e verificar alguma mudança significativa da parte dele. Mas a falta de diálogo não era o nosso único problema.
Ele era um excelente amigo. Um dos meus melhores amigos. Possuía um coração demasiado bondoso e altruísta. Nunca me falhou em nada, sempre que podia rodeava-me de presentes, de surpresas, de mimos. Mas isto não era mais do que uma compensação material pela falta que ele sabia que cometia em diversos outros aspectos. E apesar de eu saber que aquela era a melhor maneira que ele tinha para dizer que me amava, por vezes, não era suficiente.
Ao fim de algum tempo, decidimos dar um passo maior e conheci a família dele, bem como ele a minha. A ligação da minha com ele foi inesperada e bastante surpreendente. A minha mãe tratava-o como um genro e gostava realmente do Salvador. A minha relação com a família dele era mais restrita, e também confesso, não me senti bem-vindo por alguns membros e preferia manter-me afastado para evitar problemas, embora gostasse bastante de uma prima. A sua presença na minha casa passou a ser uma constante, chegando a passar dias seguidos aqui, em que dormíamos juntos, almoçava e jantava connosco, parecendo até que éramos um casal a viver em casa dos sogros, à espera de encontrar uma casa só para nós. E esse foi um dos nossos muitos planos…
Os meus amigos adoravam-no, passando a ser frequente estarmos com eles, apesar de insistir muitas vezes para estarmos com os poucos amigos dele, que não eram amigos de noite, e dos quais eu até gostava! Chegamos a um ponto, aí nos últimos três meses de relação, em que estava no estágio, que estávamos praticamente a viver a mesma vida. Em que ele me ia levar, me ia buscar, permanecíamos juntos, fazíamos os mesmos planos, constantemente por minha iniciativa. E isso começou a sufocar-me. Também sei que às vezes eu fugia a tentativas da parte do Salvador de fazermos programas a dois, mas eu confesso, eu não queria ter de passar outra noite a ser sempre eu a encontrar temas de conversa, a ter de ter monólogos vários. Estava cansado!
Quando começamos a nossa relação eu estava a estudar, estava a meio do curso de Vitrinismo e ele estava desempregado. Não vou aqui patentear a sua vida económica, mas apesar de não ter trabalho, tinha a mesada que o pai lhe dava. Não tinha grandes estudos, e a seu tempo, comecei a verificar uma despreocupação constante por não querer preparar o seu futuro enquanto podia. Basicamente não estudava, não trabalhava, não tinha objectivos, e isso fazia-me confusão, porque eu estava carregado de sonhos, de metas a alcançar, e a partir do momento em que começamos a traçar destinos a dois, como, hipoteticamente irmos viver juntos, eu sabia que não podia continuar a sonhar enquanto ele não crescesse e percebe-se que não podia continuar a viver às custas do pai! Tinha de fazer algo pela vida, por ele. E eram frustrantes os meus discursos repetidos vezes sem conta a fim de o tentar ver a razão. De que ele tentasse entender o que queria para si, os seus gostos, se queria estudar, quais eram as áreas com as quais se identificava. Se não, então porque não abrir um negócio, um bar como sempre quis. Se o pai estava ali para o ajudar e apoiar financeiramente, porque é que ele não abria os olhos? Cheguei à conclusão de que eu já nada podia fazer, e de que tinha de ser ele a ver a luz sozinho e encontrar o seu próprio caminho sem mim, sem a necessidade de ter de o fazer por nós, mas sim por ele. E foi aí que o abismo começou e que a nossa história se aproximou do final....